Liv Up
Uma experiência para quem quer se alimentar de forma prática, saudável e saborosa.

<first>N<first>a rotina de grandes cidades, com ritmo acelerado e pouco tempo, comer bem pode ser um desafio. As opções práticas de alimentação geralmente não são saudáveis. Por outro lado, as refeições saudáveis, além de não serem práticas, muitas vezes não são saborosas. Com isso, muitas pessoas acabam se alimentando mal ao buscarem facilidade para o dia a dia. E outras, sofrem com o gasto de tempo nessa escolha.
A Liv Up nasceu com o propósito de conectar as pessoas à comida boa de verdade, simplificando o acesso à alimentação saudável. Em uma ponta estão os agricultores, ingredientes, chefs e refeições; na outra, os clientes. O produto digital serviu como uma ponte, facilitando o processo de compra. Nosso desafio foi criar uma experiência prática para descoberta do cardápio, escolha dos itens e indicação de como recebê-los em casa.
Entendendo o contexto
A Liv Up possui uma particularidade: a venda acontece exclusivamente pelo meio digital. Com o objetivo inicial de ser uma empresa que entrega o produto diretamente para o consumidor, todo o processo de compra é realizado pelo aplicativo ou site – sem uma visualização física de embalagens, como num mercado tradicional. Portanto, a experiência de navegação, visualização e escolha de itens é orientada pela interface digital e arquitetura de informação definida pelo time de produto.
Um segundo ponto importante é o fato de os clientes terem carrinhos grandes – em média, com 20 itens por transação. A Liv Up é vista como uma empresa que oferece ao cliente a compra da semana ou do mês, com produtos a serem estocados no freezer para consumo ao longo do tempo. A interface dos canais digitais, por sua vez, deve cumprir papéis distintos: facilitar a busca por SKUs recorrentes e, ao mesmo tempo, permitir a descoberta de novos itens – especialmente com a expansão do cardápio.
A estrutura da Liv Up também influencia o desenvolvimento do produto. A empresa utiliza um modelo descentralizado, com times autônomos e multidisciplinares, chamados de Squads. Cada equipe atua numa etapa específica da jornada do cliente – aquisição, compra, engajamento – e é responsável por priorizar iniciativas específicas. Isso traz agilidade na execução, uma vez que cada grupo responde por objetivos próprios.
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Explorando soluções
O trabalho de Design de produto na Liv Up é fundamentado em observações, através do levantamento de hipóteses, testes e métricas para validação. Por exemplo, um dos principais desafios do Squad de compra foi a reorganização do menu do aplicativo para expansão do cardápio. Com o aumento do número de SKUs, foi preciso definir novas categorias sem comprometer a usabilidade da navegação.
A partir de métodos como entrevistas e card sorting, listamos aprendizados preliminares:
Categorização por “gôndolas”
A principal forma de classificação, seguindo o padrão de um mercado físico – ex: hortifruti, bebidas, refeições congeladas, legumes. O principal desafio seria entender a relação hierárquica entre os itens.
Momento de consumo e tipo de estabelecimento
Uma busca alternativa, usando ocasiões como “café da manhã”, “jantar”, “padaria”. Nesse modelo, itens de gôndolas diferentes, como pão (padaria) e banana (hortifruti), apareceriam lado a lado.
Ambiguidade sobre classificações
Ao contrário das gôndolas, cujo entendimento era mais universal, um termo como “mercearia” poderia gerar maior divergência entre os clientes.
Com essas observações, descrevemos a hipótese de que uma navegação multilateral – gôndolas, momentos, estabelecimentos – poderia acomodar modelos mentais distintos de busca. Essa abordagem foi validada por múltiplos métodos – como testes A/B, métricas de acesso às categorias e índice de add-to-cart – trazendo novos aprendizados, positivos e negativos. Por exemplo, “café da manhã” mostrou-se um tipo de classificação relevante. Por outro lado, a navegação por abas não necessariamente estimulou a descoberta de novas categorias.

Descoberta contínua
Uma visão fundamental para o trabalho estratégico de Design era atuar de maneira integrada com outras disciplinas. Buscamos levantar insights sobre clientes de maneira recorrente e permitir que o grupo se apoiasse nesse material para tomar decisões sobre o produto. Para isso, envolvemos diferentes áreas na execução de pesquisa de forma intencional, com o objetivo de disseminar um processo centrado em pessoas usuárias.
Como tornar a pesquisa um processo cíclico, integrado à dinâmica de execução e validação dos Squads?
Para um modelo de pesquisa contínua, definimos 3 métricas principais: o número de interações com usuários por semana; o esforço de recrutamento de participantes e o envolvimento de outras disciplinas, além de Design. Esses critérios facilitaram a implementação do processo, por serem claros e objetivos; e também nos permitiram nivelar a execução em todos os Squads. O principal método utilizado num primeiro momento foi entrevistas em profundidade.
A automatização de atividades foi fundamental para maior agilidade. Criamos um sistema para acompanhar o funil de conversão das entrevistas – ou seja, quantos convites foram enviados, aceitos e, por fim, quantas pessoas participaram. Isso nos permitiu refinar as mensagens e meios de contato para não sobrecarregar a base de clientes. Também desenhamos templates para facilitar o registro de notas e trazer consistência na síntese.
Nas entrevistas, buscamos convidar PMs, desenvolvedores e analistas de dados para apoio (shadowing) e também para tomarem notas das conversas. Além do suporte na execução, a ideia era aculturar outras disciplinas sobre a importância de pesquisa através da aproximação com clientes. A prática contínua permitiria que outras áreas além de Design pudessem conduzir atividades de descoberta – o que seria um outro efeito positivo na nossa visão.
Alguns exemplos de insights práticos levantados a partir do exercício foram: substituição de carrosséis por alternativa em lista para estimular descoberta; para fotos dos itens, uso de perspectiva mais próxima do tamanho real da porção; e relevância limitada da funcionalidade de avaliação de produtos, em relação ao esforço de execução.
O aplicativo Liv Up consolidou a visão da empresa em simplificar o acesso à alimentação saudável, através de uma experiência mobile-first. A aproximação com clientes foi fundamental para validações e testes durante o refinamento do produto digital.

Consistência e qualidade
Com o objetivo de desenhar uma experiência de alto nível para compra online, criamos um processo para manter consistência e harmonia no desenho. Na Liv Up, defendemos que a execução com qualidade é tão importante quanto a construção de um argumento estratégico para o produto. A ideia era permitir que designers de múltiplos Squads pudessem convergir na criação de interfaces, usando um sistema organizado, pré-definido como referência.
Como abordar o Design System como um elemento vivo, refinado continuamente por aplicações práticas?
Pela estrutura enxuta do nosso time, optamos por um modelo distribuído – também chamado de “federado”. Nesse formato, a responsabilidade de construção do Design System é compartilhada entre os integrantes dos times de produto; ou seja, ela não fica centralizada num único designer independente. Os próprios designers, membros dos Squads, estabelecem os padrões. E isso acontece no contexto real, prático e muitas vezes imprevisível do dia a dia.
Começamos com a definição de 6 propriedades estruturais do nosso sistema: princípios de Design, cores, família tipográfica, formas, ícones e taxonomia. Atribuímos a cada tópico, de acordo com o background, habilidades e preferências de cada designer. Acreditamos que, a partir desses elementos básicos, as discussões posteriores e mais minuciosas seriam menos difíceis. Essa abordagem também nos ajudou a dar passos enxutos e construir comprometimento no grupo.
Para manter o sistema atualizado e relevante, estabelecemos sessões de critique quinzenais. Esse espaço horizontal de alinhamento foi crucial num modelo descentralizado de Squads. Como cada time responde por objetivos próprios, o distanciamento da visão do “todo” acaba sendo um efeito natural. Durante os encontros, o grupo pôde revisar padrões, identificar inconsistências de execução e discutir oportunidades.
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Áreas de atuação
Atuei nessa iniciativa entre Outubro de 2018 e Fevereiro de 2022 em São Paulo. Minhas principais atividades foram:
Pesquisa
Desenvolver um framework para UX Research para pesquisa contínua. Avaliar maturidade estratégica dos Squads e definir métricas para implementação e acompanhamento das atividades.
Criação
Coordenar a criação de um design system para otimização do trabalho de desenho. Formalizar rituais de critique e revisar a evolução das iniciativas para qualidade e consistência na execução de Design.
Gestão
Garantir alinhamento estratégico entre OKRs da empresa com oportunidades no produto digital. Coordenar a alocação de designers em múltiplos Squads de acordo com perfis e necessidades de cada time.
Resultados
Nota na App Store
45% vs 25%
Inserção de categorias de mercado*
65% vs 40%
Add-to-cart*
Esses foram resultados relevantes alcançados com a evolução do aplicativo Liv Up:
4.8 de 5
ota na App Store
26pp
add-to-cart – delta entre plataformas*
6pp
conversão – delta entre plataformas*
68%
volume de interações com clientes**
50% vs 25%
participação de PM vs Engenharia em entrevistas***